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Last Planner System: o que é e como ele auxilia o planejamento de obras

last planner system

Embora métodos tradicionais de planejamento tenham o seu valor, o fato é que eles possuem gargalos que prejudicam a eficiência de uma obra, como grandes variações entre as tarefas previstas e as efetivamente executadas. Por isso, as construtoras que desejam se manter competitivas devem valorizar a adoção de ferramentas inovadoras de construção enxuta, como o Last Planner System.

Popularmente conhecida pela sigla LPS, essa é uma abordagem que aumenta a eficácia dos planejamentos de obras.

Ao envolver de forma mais ativa os engenheiros, arquitetos e gerentes de projeto que participarão da obra, o resultado são cronogramas mais realistas e alcançáveis, bem como menos desperdício no canteiro de obras e maior eficiência operacional.

O que é Last Planner System (LPS)

Nos métodos tradicionais de planejamento de obras, o mais comum é a elaboração de um cronograma de longo prazo, em que as atividades de curto prazo são definidas de acordo com o objetivo final.

O problema dessa abordagem é que não raramente há um desencontro entre o que foi planejado e o que realmente acontece no dia a dia da obra.

Metodologias como o Last Planner System visam reduzir esse tipo de problema, pois contemplam planejamentos em 3 níveis (de curto, médio e longo prazo) para que imprevistos possam ser antecipados e o cronograma seja mantido do início ao fim da construção.

O LPS faz parte do método Lean Construction e foi desenvolvido pelos norte-americanos Glenn Ballard e Gregory Howell, ambos integrantes do Lean Construction Institute dos Estados Unidos.

Em tradução livre, Last Planner System significa “sistema do último planejador”, ou seja, entende que os últimos a planejar são os profissionais que atuam na linha de frente da obra. Com isso, a metodologia incentiva uma gestão mais participativa de todos os membros da equipe envolvida no projeto.

Em vez de elaborar um único cronograma de longo prazo extremamente detalhado, o Last Planner System propõe a adoção de metas de curto, médio e longo prazo. Além de cumprir com as datas de entrega previstas, a metodologia se preocupa com a disponibilidade de recursos para que as tarefas possam ser realizadas.

Por meio da chamada produção puxada, o LPS busca aumentar o desempenho dos processos de planejamento e melhorar o controle de produção, garantindo assim um projeto com mais confiabilidade, transparência e eficiência.

Conheça os princípios fundamentais desta metodologia

 A metodologia Last Planner System é baseada em cinco princípios fundamentais que indicam como ela deve ser implementada e utilizada no dia a dia da gestão: 

Comprometimento coletivo

Desde os gestores até os profissionais da linha de frente da obra, todos participam na definição de metas e prazos de trabalho e podem compartilhar suas visões sobre os desafios envolvidos na construção.

Aprendizado e melhoria contínua

No LPS os erros são encarados como oportunidades de aprendizado. Por isso, as equipes são incentivadas a avaliar o desempenho do projeto frequentemente, sempre buscando maneiras de tornar os processos mais eficientes e alcançar melhores resultados.

Transparência

Tal qual um software de gestão que promove a automação de tarefas e a integração de dados, no Last Planner System também há um acesso compartilhado das informações relativas ao projeto e ao progresso da obra, garantindo maior confiabilidade em todos os níveis da construção.

Consideração da variabilidade

O LPS compreende que a variabilidade é inevitável no processo construtivo, e busca gerenciá-la ao invés de tentar excluí-la do dia a dia de trabalho.

Orientação ao fluxo de produção

O último princípio do Last Planner System visa manter um fluxo de trabalho contínuo, em vez de focar nas metas individuais, tornando a construção mais eficiente, colaborativa e com maior qualidade.

Como aplicar o Last Planner System na prática

Ao contrário do que se possa imaginar, a adoção de planejamentos de curto e médio prazo não exclui a necessidade de um plano de longo prazo, também chamado de Plano Mestre.

Enquanto o planejamento de longo prazo contempla os marcos da obra e fornece uma visão estratégica e menos detalhada do projeto, os planos de curto e médio prazo trazem dados operacionais e com mais detalhes.

Feita a elaboração do Plano Mestre, o Last Planner System pode ser implementado a partir de 4 etapas principais:

Pull Plan

Com os principais marcos da construção definidos, o chamado plano puxado entra em cena para determinar as sequências de trabalho, ou seja, como a conclusão de uma etapa leva ao início da próxima fase. É essencial que o Pull Plan conte com a participação de todos os envolvidos na obra, desde subempreiteiros e fornecedores.

Look-Ahead Plan

Ao contrário do Plano Mestre e do Pull Plan, que definem o que deve ser feito, essa etapa de implementação do LPS define o que com certeza pode ser realizado dentro do prazo estabelecido.

Em um horizonte de tempo de 2 a 6 semanas, o Look-Ahead Plan busca eliminar obstáculos que possam comprometer o bom andamento da obra, como alterações no projeto ou falta de insumos.

Programação semanal

A terceira fase de implementação compreende um plano de trabalho semanal para a equipe, e na sequência a análise das tarefas concluídas e das não realizadas. Entre as que não foram cumpridas deve-se buscar entender os motivos que causaram desvios na produção.

Reuniões diárias

Para o LPS funcionar devem ser feitas reuniões diárias curtas, de no máximo 15 minutos, com o objetivo de acompanhar o planejamento semanal. Nesses encontros é possível definir ações para conter os desvios de produção e compartilhar os desafios enfrentados no canteiro de obras.

Qual a importância do Last Planner System para o planejamento de obras 

A eficiência no planejamento de obras contribui e muito para o sucesso de uma empresa em um mercado tão competitivo quanto o de construção civil.

O principal fator que ressalta a importância de implementar o Last Planner System é justamente o de aumentar o desempenho da construtora ou incorporadora.

Ao melhorar a comunicação entre a equipe e tornar os processos de trabalho mais colaborativos, o LPS também garante que os planejamentos se tornem mais confiáveis, aumentando a produtividade.

Por incentivar a melhoria contínua e a identificação precoce dos motivos por trás dos desvios de produção, o LPS aumenta a previsibilidade das obras e reduz os desperdícios.

Com a ajuda das reuniões diárias, a metodologia contribui para tomadas rápidas de decisão, tornando as equipes mais estratégicas.

No fim, o resultado de uma implementação bem-sucedida do Last Planner System é a adoção de uma cultura de trabalho mais transparente, responsável e com maior comprometimento.

Conclusão

Adotar métodos construtivos inovadores pode fazer a diferença na evolução e na competitividade de uma empresa de engenharia.

Com mais colaboração entre as equipes, maior confiabilidade nos planejamentos e rápida identificação de causas que comprometem o bom andamento da obra, o Last Planner System aumenta a produtividade no canteiro, evita interrupções na produção e reduz desperdícios e custos logísticos.

Ficar por dentro de metodologias como essas é um grande diferencial para tornar seus times mais estratégicos. Aproveite para conhecer outros conteúdos no blog da 90TI e assine nossa newsletter para saber mais sobre as principais novidades do universo da construção civil.

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